terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

O dia em que a subtileza venceu o mau cheiro



Vou escrever sobre a indolência aguda que acomete alguns vizinhos e que os impede de percorrer 100 metros para despejar o saquinho do lixo no contentor que se encontra mesmo em frente ao prédio. Ao invés, optam por deixar o saquinho à porta de casa, a exalar cheiros pouco ortodoxos. Os meus vizinhos do rés-do-chão fazem parte deste grupo de aficionados, pelo que o saquinho fedorento serve logo de cartão-de-visita do prédio. Há quem diga que o cartão-de-visita é um aperto de mão que deixamos com alguém. Pois se assim é, as nossas visitas são recebidas com pompa e circunstância! Acontece que o saco, por vezes, fica ali esquecido durante horas, a perfumar o patamar das escadas, provocando simultaneamente indignação e troça entre os vizinhos sob a forma de apostas sobre as iguarias degustadas pela família.
- Aposto que hoje ao almoço foi uma mariscada.
- Hum… quer-me parecer que hoje foi uma carilada.
Agastada com esta situação, urdi um plano de ação engenhoso. Sem dizer nada a ninguém, fui ao supermercado, comprei uma latinha de “Brise” em spray e, às escondidas, coloquei-a discretamente ao lado do famoso saquinho do lixo.
Foi remédio santo. Parece que acusaram o toque e, inesperadamente para surpresa e gáudio de todos os condóminos, o saquinho do lixo deixou de fazer parte da decoração da entrada do prédio.


5 comentários:

  1. A inteligência sai sempre vencedora!
    Emíla

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  2. Mais uma história delicada e encantadora. Aprecio o seu sentido de humor refinado e subtil.
    Matilde

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  3. Vou adoptar a ideia. Tenho o mesmo problema com o meu vizinho do lado

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  4. "Super Miss Smile" a combater os prevaricadores há ... anos!
    António

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    Respostas
    1. Salvaste a pele ao não dizer o número de anos ;)

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