segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Tenho um blog, logo existo



Este trocadilho com a famosa conclusão do filósofo francês René Descartes Penso, logo existo surgiu num momento de reflexão com os meus botões. Enquanto bebericava uma chávena de chá e trincava uma fatia de bolo de cenoura, pus-me a pensar nos motivos que me levam a escrever e a atualizar diariamente um blog. Por que escrevo? Para quem escrevo?

A Internet é uma janela para o mundo. Um admirável mundo novo que nos cativa e incita a fazer parte dele. Mas o que é que nos move realmente? Satisfazer uma necessidade natural de partilhar e comunicar? Saciar uma inefável vontade de autoafirmação? Enaltecer a vaidade através da presença de um público de seguidores? Ceder à tentação de medir a importância da nossa existência pelo número de visualizações que se tem diariamente?

Eu criei este blog para trocar ideias, partilhar vivências e experiências pessoais e interagir com outras pessoas. Embora não se trate de um diário íntimo, desvendo aqui algumas peripécias do meu dia-a-dia e muitos dos meus gostos e interesses pessoais. Por outro lado, o ato de escrever ajuda-me a melhorar as minhas competências linguísticas. Na verdade, escrever dá-me muito prazer. E confesso que o facto de saber que há uma plateia de leitores interessados no que eu escrevo me incentiva a continuar.
Mas talvez o que pesa mais seja uma necessidade intrínseca de iludir um pouco a nostalgia. Eu sei que a minha vida é bem povoada de pessoas e afetos. Tenho uma família adorável que aprecia a minha companhia. Tenho um círculo considerável de bons amigos e conhecidos, que disputam a minha companhia. Mas eu sei também que, quando chego a casa, já não tenho ninguém à minha espera, com exceção, claro está, do venerável Mestre Biju. O mundo vai encolhendo à medida que envelhecemos. Há pessoas que já partiram, há rotinas que já perdemos, há sítios que já não existem – um rol de coordenadas que materializavam a nossa existência. E à medida que o mundo vai ficando mais pequeno, somos assenhoreados pela nostalgia do que foi e já não volta. É por isso que ter um blog e ler outros blogs não deixa de ser uma forma de recriar e repovoar a nossa existência e deter a fugacidade do tempo.


13 comentários:

  1. Como eu compreendo essa nostalgia!
    Isabel

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  2. "O mundo vai encolhendo à medida que envelhecemos." É bonito.

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  3. Obrigada pela visita ao Meu Estaminé e pelo comentário. Foi por ele que cheguei aqui e tive imenso prazer em conhecê-la. Entrei por aqui dentro sem cerimónia e passeei um pouco até chegar à Prima M. Adorei conhecer-"vos" e decerto voltarei mais vezes. Gostei muito de ver a referência à música da Marisa Monte e dos dois irmãos que tocam e cantam. Infelizmente não consigo ouvir devido à surdez súbita que me atacou. A Música foi sempre a minha grande paixão... Bjs. Bombom

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    1. Agradeço os seus comentários tão simpáticos e, já sabe, tem aqui “uma casa à sua disposição” ;) Visite-me sempre que quiser, pois as pessoas com sensibilidade são sempre bem-vindas. Também gostei muito das receitas que li no seu cantinho.

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  4. Hoje, as coisas passam-se um pouco assim. Quem não está nas redes sociais e na blogosfera é como se não existisse.
    Filipa

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  5. novos, velhos - todos queremos deixar uma marca nem que seja no mundo digtal

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  6. Aprecio muito a forma delicada da sua escrita. Acho que escreve com alma.
    Rosa

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  7. Dá que pensar este post, gostei.


    tarasemanias.pt

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    1. Obrigada pelo comentário. É sempe bem-vinda.

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  8. Estás muito filosófica!
    António

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  9. Muito bem dito! :)
    Um blog permite tanto, principalmente a quem o tem por gosto e não por ambições materialistas... Permite conhecer pessoas com quem nos identificamos, trocar ideias, soltar uns risos, faz companhia nesses tais momentos em que não está ninguém em casa. A curiosidade de ver os posts dos outros e os novos comentários no nosso blog pode até ajudar a dar coragem para combatermos o sono, de manhã! haha :P
    Para além de que, como foi dito, exercitamos a nossa escrita... E é algo que compensa, principalmente quando vemos que mudamos o dia a alguém, que demos uma dica que foi útil, que fizemos sorrir, que aprendemos, que descobrimos... Enfim, temos que procurar o que nos faz confortáveis. E se um blog contribui para isso, não há muito mais a justificar! :)

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    1. Obrigada pelo seu longo e simpático comentário. Gostei também muito de conhecer o seu blog que já me fez soltar algumas agalhadas pela manhã.

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  10. Um belo texto sobre a necessidade de ter um blog.
    Eu por acaso criei o meu blog apenas com o intuito de agregar num único espaço, alguns poemas de juventude, mas como como começou a haver inter-acção, recomecei a escrever, e ainda cá estou , passados quase três anos. No entanto o mais importante para mim não é o número de seguidores, mas as pessoas que comentam, porque alguém comentar o que apresentamos é reconfortante. E não posto muito assiduamente, para ter tempo de comentar as pessoas que se dignam comentar-me.
    xx
    Obrigada pela visita e comentário, Miss Smile.
    xx

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