terça-feira, 8 de novembro de 2016

A gaivota



Num fim de tarde de verão, era eu ainda uma criança, corri atrás de uma gaivota, porque me aborreci com o meu irmão. A gaivota desapareceu no céu com um grito pesaroso, deixando uma pena caída na areia. Guardei-a na mão e levei-a para casa. Encontrei-a há dias a marcar um livro. A noite passada, sonhei com a gaivota e, quando acordei, senti um formigueiro na palma da mão. E voltei a lembrar-me das mãos da minha avó nas minhas.


14 comentários:

  1. As memórias boas são um calor bom neste tempo frio.
    ~CC~

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    1. Há memórias que são boas em qualquer altura do ano. Esta trouxe-me o cheiro da maresia e o calor das mãos da minha avó :)

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  2. Quando te leio, tenho a impressão de que o teu coração guarda tesouros muito bonitos. Tenho a impressão não, tenho a certeza.
    Um bom dia, querida Miss Smile. :-)

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    1. Todos guardamos tesouros bonitos. Eu gosto de levar os meus sempre comigo.

      Um dia feliz, querida Susana :)

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  3. O que eu gosto de gaivotas! E como é bom ter o calor de uma mão terna na nossa!

    Beijo com sabor a mar, querida Miss Smile :)

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    1. Para ti, querida Maria, deixo um poema com sabor a mar e sal:

      "Uma lágrima de luz inacabada
      Bate contra o cais
      Sucumbe e jaz

      Uma gaivota alada inacabada
      Voa pelos olhos
      Se desfaz"

      Daniel Faria / Aurora

      Um beijinho :)

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  4. Creio que todos guardamos, no coração, memórias da nossa infância. Como só vi o mar aos doze anos de idade, nunca sonhei com gaivotas. Ainda hoje sinto o mesmo que sentia, quando revivo esses momentos. Correr pelo campo, abrir os braços e voar, era um sonho recorrente que tinha em criança, mas deixei de o sonhar. Logo agora, que eu tanto precisava...

    Um beijinho, querida Miss Smile. :)

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    1. Nós somos aquilo que são as nossas memórias.Cada vez acredito mais nisso. Quanto à nostalgia dos sonhos que deixamos de sonhar,dedico-lhe este poema de Pessoa:

      "Ah, quanta vez, na hora suave
      Em que me esqueço,
      Vejo passar um voo de ave
      E me entristeço!
      Porque é ligeiro, leve, certo
      No ar de amavio?
      Porque vai sob o céu aberto
      Sem um desvio?
      Porque ter asas simboliza
      A liberdade
      Que a vida nega e a alma precisa?
      Sei que me invade
      Um horror de me ter que cobre
      Como uma cheia
      Meu coração, e entorna sobre
      Minha alma alheia
      Um desejo, não de ser ave,
      Mas de poder
      Ter não sei quê do voo suave
      Dentro em meu ser."

      Um beijinho, querida Janita :)

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    2. Querida Miss Smile.

      Será que Deus lhe concedeu o dom de ler a alma das pessoas, através das palavras que delas lhe chegam? Creio que sim.

      Muito, muito obrigada pelo poema de Pessoa e pelo seu carinho. Irei guardá-lo numa caixinha e a sete chaves no meu coração, fazendo-o sair quando dele necessitar para poder voar.

      Sim;
      eu não gostaria de ser ave
      gostaria é que a vida
      me tivesse concedido
      esse quê do voo suave
      que as aves têm
      e me falta a mim...

      Um grande beijinho, querida Miss. :)

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    3. Que bonito o que escreveu, Janita.
      Gostaria de possuir esse dom(com alguns hiatos saudáveis, é claro), mas não o tenho. Talvez a empatia que sinto por algumas pessoas me dê, por instantes, essa capacidade.

      Outro beijinho :)

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  5. Lindo texto. Curto e emocionante. Tenho uma foto do meu neto a "perseguir" uma gaivota, tinha ele 4 anos. Nunca mais se esqueceu e fala-me muitas vezes da "sua" gaivota...
    Bjinhos

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    1. Eu persegui a "minha" gaivota porque estava aborrecida. Não foi por uma causa nobre, confesso. Nunca mais me esqueci do seu grito pesaroso, mas também não voltei a afugentar gaivotas :)
      E a Virgnia tem as suas árvores, não é verdade? Parece ser muito interessante o livro que está a ler sobre a vida secreta das árvores. Já tirei nota do título e do autor.

      Um beijinho

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  6. Quando as memórias são doces uma simples pena na mão pode fazer correr a imaginação.
    Texto muito bonito.
    Beijinhos

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    1. Uma simples pena pode fazer a imaginação levantar voo :)

      Um beijinho, Pedro

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