domingo, 13 de novembro de 2016

A morte dos nossos




Tudo é passageiro. Dolorosamente passageiro. E apenas a nossa vontade de ilusão permite que continuemos a iludir-nos. Ainda que exista sempre uma estrela, uma manhã de sol, uma história por contar, crescemos como as folhas e, como elas, caímos. Talvez por isso precisemos de reescrever a nossa vida todos os dias. Enquanto se inventa histórias a vida não morre.
Todas as mortes são irreparáveis. Nenhuma alma se repete. Mas a morte dos nossos é sempre mais irreparável. Cala-nos, emudece-nos, arrasta-nos para a orla do silêncio. Porque todas as palavras ganham um doloroso gosto a sangue.