terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Até sempre



Pior do que a morte, é a morte em vida que aprisiona a vontade e o desejo no interior do corpo. Nunca a senti em mim, mas sempre a vivi de perto no corpo dos que mais amo. Rostos bonitos, com olhos de veludo amachucado e vozes sem esperança. Crisálidas às avessas, sem asas, caídas no chão, rendidas à força da gravidade.

Quando não há ar para respirar e a angústia me envolve como nevoeiro, fecho os olhos para que o ritmo da respiração abrande. As dúvidas, as incertezas arranham-me o peito, desejosas de se libertarem. Fico em silêncio, virada para um rio que se precipita de uma altura imensa, e foco-me nas coisas boas que tenho. Desde pequena que me habituei a este exercício, deixando a mente levar-me para onde quero. Agarro-me a essas coisas boas como a um rochedo. O silêncio não é a ausência de vozes ou palavras. O silêncio é, muitas vezes, uma forma de resistência e de resiliência. Somos também aquilo que calamos e que não dizemos. E eu tenho pensado em todas estas coisas sem palavras. Tem sido esta a minha forma de preparar o futuro, nas extremidades aguçadas dos meus dias submarinos. Hoje, obriguei as minhas pernas entorpecidas a reagir e voltei a confiar nelas. Bebi um chá quente, temperado com um pau de canela que me limpou a cabeça e o coração. Escrevi estas palavras, e ouvi o tamborilar da chuva na janela do meu quarto. Ou serão as lágrimas que não choro há anos? Vesti o casaco e coloquei um cachecol amarelo, um amarelo frágil, neste dia nublado que tinge a manhã de cinzento, e saí para a rua com a dor apertada contra o peito. Há alturas em que viver é apenas sobreviver. Mas a vida continua e eu ainda não perdi o meu sentido de orientação. Nem o meu sorriso.

[Na escrita, tal como na vida, as pausas são importantes. Não sei se aqui voltarei. Neste momento, não me é possível fazê-lo. Mas quero agradecer-vos a todos pelos pedaços de conversas, por todos os sorrisos, cumplicidades e partilhas. Houve muitas palavras vossas que me envolveram como abraços apertados. Uma vez escrevi que não levava este blogue muito a sério. Hoje sei que estava enganada. Porque todos os blogues têm tesouros escondidos: pessoas. Os blogues não se alimentam só da escrita que lhes dá consistência. Não se bastam a si mesmos. Precisam sempre do olhar e da atenção do outro. Os blogues alimentam-se de pessoas e daquilo que elas fazem acontecer em nós. Por isso, a vossa história é também a minha. Fui também o que me fizeram ser. Escrevi e escrevemo-nos. Nalguns casos, escrevemos com palavras e lemo-nos com o coração. E isso é muito, muito bom. Talvez os blogues não tenham um fim, mas apenas uma finalidade, que se entrelaça e continua em outros blogues. Nos vossos. Espero que sim, porque gostaria muito de continuar a ler-vos. Bem hajam pelo bem que me fizeram!]





63 comentários:

  1. Leio-a com os olhos e eles estão em ligação direta com o meu coração. Até sempre mas em breve. :)

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    1. “Agora moro mais perto do sol, os amigos
      não sabem o caminho: é bom
      ser assim de ninguém
      nos ramos altos, irmão

      do canto isento de alguma ave
      de passagem, reflexo de um reflexo,
      contemporâneo
      de qualquer olhar desprevenido,

      somente este ir e vir com as marés,
      ardor feito de esquecimento,
      poeira doce à flor da espuma,
      apenas isso.”

      Eugénio de Andrade/Branco no Branco

      Eu é que lhe estou muito grata, Luisa.

      Até sempre :)

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  2. Até sempre, querida Miss Smile. Esteja onde estiver, seja lá quem for, saiba que me fez muito bem este convívio consigo. Ensinou-me muito e jamais a esquecerei...
    Um beijinho enorme e um apertado abraço.

    Janita

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    1. “Eles voltaram, com o rumor da chuva
      aquecem as mãos.
      Aos lábios de pouca idade
      volta o sorriso extraviado.

      A verdade é que nunca soube o nome
      dessa flor que nalguns olhos
      abre logo de madrugada.
      Agora para saber é tarde.

      O que sei é que mesmo no sono
      há um rumor que não dorme,
      um jeito da luz pousar, um rasto
      de lágrima acesa.

      É sobre o meu corpo que chove.”

      Eugénio de Andrade/Branco no Branco

      Também aprendi muito consigo, querida Janita. Continue a cuidar do seu canteiro.

      Um abraço e até sempre :)

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  3. Oh Miss Smile, fico triste, sabe? Gosto tanto si. Deixe-me sentar ao seu lado e partilhar o silêncio consigo. Prometo ficar quietinha. Sinto-me uma privilegiada por a ter conhecido. Muito obrigada. Guardo-a comigo no tecto do meu coração. Uma estrela.

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    1. “Descer pela manhã até à folha
      dos álamos,
      ser irmão duma estrela, ou filho,
      ou talvez pai um dia doutra luz de seda,

      ignorar as águas do meu nome,
      as secretas bodas do olhar,
      os cardos e os lábios da sede,
      não saber

      como se morre de tanto ser hesitação,
      de tanto desejar
      ser chama, arder assim de estrela
      em estrela,

      até ao fim.”

      Eugénio de Andrade/Branco no Branco

      Damos um abraço apertado que é o mesmo que uma longa conversa repleta de silêncios e significados. Combinado?

      Um abraço, querida estrelinha :)

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  4. Miss Smile, acabei de ler este texto com olhos de água.
    Água de rio, que me trouxe aqui e água de emoção pela dualidade em que fica o meu coração neste momento.
    Compreensão absoluta face à pausa que refere e saudades já das suas palavras.
    Eu continuarei aqui, sempre, a intensificar o rio das minhas pequenas coisas. Espero vê-la na margem dele. Espero nunca deixar de a ver.

    Um beijo apertado num abraço.

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    1. “Faz uma chave, mesmo pequena,
      entra na casa.
      Consente na doçura, tem dó
      da matéria dos sonhos e das aves.

      Invoca o fogo, a claridade, a música
      dos flancos.
      Não digas pedra, diz janela.
      Não sejas como a sombra.

      Diz homem, diz criança, diz estrela.
      Repete as sílabas
      onde a luz é feliz e se demora.

      Volta a dizer: homem, mulher, criança.
      Onde a beleza é mais nova.”

      Eugénio de Andrade/Branco no Branco

      Querida Laura, continue a cuidar do seu rio, desse caudal de grandes coisas. Gosto muito de me sentar na sua margem.

      Outro beijo apertado num abraço

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  5. Minha querida Miss Smile.

    E escrevi uma data de coisas desnecessárias e óbvias, que apaguei, fica o meu abraço. Quem agradece sou eu.

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    1. “Os primeiros dias da amizade
      levam sempre à gloriosa loucura do verão;
      não sei de tempo mais feliz,
      a não ser

      vaguear ao crepúsculo pelas dunas
      em certos dias de setembro;
      mas a morte rasteja pelas pedras,
      o coração

      impaciente por descer à agua.
      Que pode um homem esperar quando
      tão puerilmente
      se expõe assim ao sol em carne viva?”

      Eugénio de Andrade/Branco no Branco

      Minha querida Susana, mesmo que aches que tudo o que poderias escrever seria desnecessário e óbvio, eu li nas entrelinhas o que gostarias de me dizer. Eu é que agradeço o teu afeto e carinho e todas as coisas bonitas que tu escreves.
      Vou fazer uma pausa. Não vou para Marte :)


      Um abraço apertado, de corações encostados

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  6. Que venham dias bons, Miss Smile.
    Beijo

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    1. “Não, não é ainda a inquieta
      luz de março
      à proa de um sorriso,
      nem a gloriosa ascensão do trigo,

      a seda de uma andorinha roçando
      o ombro nu,
      o pequeno e solitário rio adormecido
      na garganta;

      não, nem o cheiro acidulado e bom
      do corpo depois do amor,
      pelas ruas a caminho do mar,
      ou o despenhado silêncio
      da pequena praça,
      como um barco, o sorriso à proa;
      não, é só um olhar.”

      Eugénio de Andrade/Branco no Branco

      Obrigada, Isabel. Que o sol continue a nascer todos os dias na tua praia.

      Outro beijo

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  7. eu não me despeço. estou aqui, tu sabes. e espero-te.
    egoísmo meu. fazes-me bem :)

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    1. “Tocaram a terra, o céu de nuvens claras,
      demoraram-se nos ramos,
      abriram-se à secura,
      por momentos foram constelação.

      Chegavam à noite fatigadas,
      mal dormiam inquietas com a morte
      das águas. O ardor
      das manhãs tornava-as diáfanas.

      Era seu ofício acariciar a luz,
      colher no ar
      a forma de um fruto, de uma pedra,
      levá-los em segredo para casa.

      Assim eram as mãos, elas próprias
      não o sabiam.”

      Eugénio de Andrade/Branco no Branco

      Querida ana, o sentido mais recôndito das coisas que enalteces, a sombra matizada de uma flor, o respirar do mar, a alegria dos pardalinhos na tua varanda, o ritmo secreto das coisas que tu tão bem pressentes… a bondade de dentro para fora. Essa és tu.

      Um abraço apertado

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    2. quem me dera, Miss.
      faz-me muita falta ver o mundo com os teu sentir.
      abraço forte forte

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    3. O sentir anda agora num tumulto... está com aviso vermelho, como o mar :)

      Outro abraço forte, daqueles que fazem doer :)

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  8. Miss Smile, este nome diz tudo. Esperamo-la com um smile.

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    1. “O mar. O mar novamente à minha porta.
      Vi-o pela primeira vez nos olhos
      de minha mãe, onda após onda,
      perfeito e calmo, depois,

      contra as falésias, já sem bridas.
      Com ele nos braços, quanta,
      quanta noite dormira,
      ou ficara acordado ouvindo

      seu coração de vidro bater no escuro,
      até a estrela do pastor
      atravessar a noite talhada a pique
      sobre o meu peito.

      Este mar, que de tão longe me chama,
      que levou na ressaca, além dos meus navios?”

      Eugénio de Andrade/Branco no Branco

      Os sorrisos são uma disciplina interior que requer prática. É preciso sorrir para a vida. Ela gosta de ser seduzida :)

      Um abraço, Benó

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  9. Miss leio-te há pouco tempo...mas compreendo-te, se compreendo. Esta tua rasura está com um ar de tristeza profunda, com um ar de esperança...

    fica bem, cuida-te!

    até um dia

    -___-

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    1. “Só o cavalo, só aqueles olhos grandes
      de criança, aquela
      profusão da seda, ma fazem falta.
      Não é a voz,

      que tanto escutei, escura do rio,
      nem a cintura fresca,
      a primeira onde pousei a mão,
      e conheci o amor;

      é esse olhar que de noite em noite vem
      da lonjura por algum atalho,
      e me rouba o sono,
      e não me poupa o coração.

      Meu coração, Alentejo de orvalho.”

      Eugénio de Andrade/Branco no Branco

      Vou cuidar, sim, Moonchild. Obrigada.

      Até um dia :)

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  10. Minha querida Miss :).

    Também queria só lembrar-me do bem que me fez ler as suas crónicas - pois não as considero posts nem entradas - mas só consigo reter as suas últimas palavras e não consigo impedir uma lágrima de me vir parar ao colo...
    Nunca mais é muito tempo...

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    1. “Árvore, árvore. Um dia serei árvore.
      Com a maternal cumplicidade do verão.
      Que pombos torcazes
      anunciam.

      Um dia abandonarei as mãos
      ao barro ainda quente do silêncio,
      subirei pelo céu,
      às árvores são consentidas coisas assim.

      Habitarei então o olhar nu,
      fatigado do corpo, esse deserto
      repetido nas águas,
      enquanto a bruma é sobre as folhas

      que pousa as mãos molhadas.
      E o lume."

      Eugénio de Andrade/Branco no Branco

      Querida Virginia, acredite que para mim também não é fácil. Às vezes, vêm ventanias que desarrumam tudo. E concordo consigo, “nunca mais” é, de facto, um tempo muito comprido:)

      Um abraço apertado

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  11. Miss Smile. estou sem palavras. sei que era muito egoista da minha parte fazer uma birra, implorar que fique, organizar uma greve, bater com os pés no chão como uma criança demasiado mimada... mas nada mais me ocorre, porque também eu ando que nã me tenho e as suas palavras fazem-me falta. não posso ficar calado e acenar-lhe daqui, simplesmente nã quero. pronto.

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    1. “Onde a luz coalha
      e cessa o exílio.

      Nos ombros, no dorso,
      nos flancos suados.

      Onde um beijo sabe
      a barcos e bruma.

      Ou a sombra espessa.

      Na laranja aberta
      à língua do vento.

      No brilho redondo
      e jovem dos joelhos.

      Na noite inclinada
      de melancolia.

      Procura.

      Procura a maravilha.”

      Eugénio de Andrade/Escrito no Muro, in Obscuro Domínio

      Manel, pode não acreditar, mas as birras são aqui muito bem-vindas. Já afastei toda as mesas e cadeiras e guardei as minhas melhores porcelanas para que possa espernear à vontade :)
      Agora falando a sério, gostava de lhe agradecer todas as vezes que me fez rir com os seus comentários espiritosos e desarmantes, e todas as vezes que me tocou com a beleza certeira e precisa da sua escrita. Eu acho que na escrita não existe um sentido único. Por vezes, temos de inverter a marcha, sair do asfalto, descobrir novos trilhos ou estacionar o carro e continuar a pé. Para acompanhar as palavras, é preciso tempo, pois, como se sabe, os pensamentos voam, mas as palavras, essas, andam a pé.

      Um abraço e até sempre :)

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    2. se o problema é tempo, eu trato dele, até mando um tornado para apanhar pensamentos... se o problema é a travessia, nós esperamos que faça outra ponte, mas nã nos leve as suas preciosas palavras, nem os sábios conselhos para um armário bolorento... eles fazem falta, eles precisam de ser escutados, sentidos, lidos e relidos, aprendidos.
      retorno o abraço e arrisco um beijo, mas prefiro o até já, que o sempre é muito tempo :)

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    3. Eu que sou do tempo do Paleolítico Inferior, a Lucy era minha prima direita, do lado dos Smiles australopitecos, só para ter uma ideia (coitada, aquela mania de subir às árvores custou-lhe caro), confesso que o “até sempre” e o “até já” são a mesma coisa. :) Mas se lhe soa mais adequado, e este estabelecimento sempre prezou as preferências dos seus frequentadores, despeço-me, então, com um até já e um beijinho :)

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  12. Espero que voltes com os teus belos texto e com o teu sorrido, Miss Smile.

    Beijinho. Come back soon!

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    1. “O sorriso.
      O sorriso aberto
      contra o muro.

      Exactamente
      como as ervas,
      é muito antigo.

      E sobre as ervas
      e o muro
      debruça-se no caminho.

      Quem o arranca,
      e levará consigo?”

      Eugénio de Andrade, in Matéria Solar

      Obrigada, Graça, pelos seus comentários e incentivos. Acredite, que foram sempre muito importantes para mim. Continuarei a acompanhar os seus Picos de Roseira Brava. Gosto da pertinência dos temas, das sugestões literárias, de uma certa irreverência e dos momentos de boa-disposição com que presenteia os seus leitores.

      Um beijinho

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  13. Queria dizer-te: Fica! Digo-te, antes: Ficas no meu coração!

    Um daqueles beijos muito repenicados embrulhado num abraço apertado.

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    1. “A tarde sacudiu as suas crinas,
      as crianças demoram-se nos espelhos
      um amigo começa no verão,
      no íntimo despir das suas luzes.”

      Eugénio de Andrade, in Matéria Solar

      Tu estás também no meu coração, querido Raio de Sol. Continua a escrever beleza como só tu sabes, pois é o amor e a esperança que fazem andar o mundo inteiro. E tu sabes vê-los nos caminhos escarpados, nos pequenos nada, nos gestos que ocultam vidas intensas. Muito obrigada por tudo, Maria Poesia.

      Beijinhos repenicados (sim, sim, eu gosto desses!) e até sempre :)

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  14. Não sou comentadora assídua mas leio-a em silêncio. Ficarei por aqui à sua espera. Também tenho muitas vezes essa vontade de calar as palavras e depois volto sempre.

    Felicidades, um beijo.

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    1. “Havia
      uma palavra
      no escuro.
      Minúscula. Ignorada.
      Martelava no escuro.
      Martelava
      no chão da água.

      Do fundo do tempo,
      martelava.
      contra o muro.

      Uma palavra.
      No escuro.
      Que me chamava.”

      Eugénio de Andrade, in Matéria Solar

      Talvez isto dos blogues nos converta em aves migratórias, sempre a partir e a regressar. Não sei. Veremos…
      Muito obrigada pela sua presença aí desse lado. Estou imensamente grata a todos os que por aqui passaram em silêncio. Fizeram-me muita companhia.

      Um beijinho, Vanessa, e até sempre!

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  15. quem sabe se, quando o nevoeiro dissipar, e o arranhar no peito seja antes uma doce carícia, teremos de volta este convívio tão sereno. "Bem hajam pelo bem que me fizeram!" e eu, eternamente grata por me saber sempre bem-vinda.
    um abraço, Miss Smile, até sempre.
    Mia

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    1. “Os amigos amei
      despido de ternura
      fatigada;
      uns iam, outros vinham,
      a nenhum perguntava
      porque partia,
      porque ficava;
      era pouco o que tinha,
      pouco o que dava,
      mas também só queria
      partilhar
      a sede de alegria —
      por mais amarga.”

      Eugénio de Andrade/Os Amigos, in Coração do Dia

      Por vezes, é preciso parar para fazer uma espécie de coreografia interior, para perceber qual é a vida que nos pertence. Muito obrigada, Mia, pela sua presença e pelos seus comentários inteligentes e assertivos. Espero que continue a brindar-nos com os seus desabafos. Gosto muito da forma como escreve.

      Um abraço e até sempre

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    2. obrigada Miss Smile, por, até na despedida, se lembrar dos meus desabafos. eu vou ficar com saudades dos comentários dirigidos aos meus simples escritos.
      beijinho grande.

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    3. Mia, continuarei a lê-la, porque gosto de si e da sua escrita.

      Outro beijinho grande :)

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  16. Estou desde de manhã a tentar encontrar as palavras certas para lhe dizer do quão me fez feliz com a beleza dos seus textos maravilhosos e a ternura dos seus comentários. Não me sai nada de jeito, a não ser uma imensa pena, e nem esta frase exprime o que sinto.
    Seja feliz, minha querida. Aqui ou onde escolher para melhor o fazer.
    Um enorme beijinho, com saudades antecipadas.

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    1. “São como um cristal,
      as palavras.
      Algumas, um punhal,
      um incêndio.
      Outras,
      orvalho apenas.

      Secretas vêm, cheias de memória.
      Inseguras navegam:
      barcos ou beijos, as águas estremecem.

      Desamparadas, inocentes,
      leves.
      Tecidas são de luz
      e são a noite.
      E mesmo pálidas
      verdes paraísos lembram ainda.

      Quem as escuta? Quem
      as recolhe, assim,
      cruéis, desfeitas,
      nas suas conchas puras?”

      Eugénio de Andrade/As Palavras, in Coração do Dia

      Querida Linda Blue, às vezes, não há mesmo as palavras certas. Há palavras para muitos lugares e distâncias, mas para as coisas simples, não há muitas, ou eu não sei também encontrá-las. Nestes momentos, somos um pouco estrangeiros, sem saber bem o que dizer e como dizer. Ficam as memórias que nos relembram o doce sabor de um fruto, os silêncios partilhados e os momentos em que mergulhei mais fundo, mais dentro, mais alto quando lia alguns dos seus tocantes e meticulosos textos. Muito obrigada.

      Um abraço apertado e até sempre

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  17. Querida Miss Smile,
    Gostava tanto de te ler aqui. As palavras, os silêncios, as tristezas e as alegrias. As histórias, as memórias, as reflexões. Compreendo mas vou ter saudades. Um grande abraço e fica bem.

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    1. “Sei agora como nasceu a alegria,
      como nasce o vento entre barcos de papel,
      como nasce a água ou o amor
      quando a juventude não é uma lágrima.

      É primeiro só um rumor de espuma
      à roda do corpo que desperta,
      sílaba espessa, beijo acumulado,
      amanhecer de pássaros no sangue.

      É subitamente um grito,
      um grito apertado nos dentes,
      galope de cavalos num horizonte
      onde o mar é diurno e sem palavras.

      Falei de tudo quanto amei.
      De coisas que te dou
      para que tu as ames comigo:
      a juventude, o vento e as areias.”

      Eugénio de Andrade/Até Amanhã

      Querida Maria, com o passar do tempo, e, à medida que nos vamos lendo e conhecendo, o mais importante deixa de ser o que se lê para começar a ser como se lê. Acredito que, a uma determinada altura, começamos a ler-nos com o coração. Quando isso acontece, fazemos também uma viagem, uma travessia para outra margem. Sabes, gosto muito do verde profundo da tua margem.

      Um abraço e até sempre

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  18. fico sem jeito, gosto de si e de a ler, mas entendo o seu texto.

    fica o abraço, o apreço e carinho genuínos.

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    1. “Uma abelha, dessas que dizem ser italianas, entrou pela janela, obstinou-se em escolher-me, pousa-me no ombro, descansa de seus trabalhos. Lisonjeado com aquela preferência, comecei a amá-la devagar, retendo a respiração, com receio que não tardasse a dar pelo seu engano, que cedo viesse a descobrir que não era eu a haste de onde se avistam as dunas. Mas o seu olhar tranquilizava, era calma ondulação do trigo. Agora só uma interrogação perturbava a minha alegria – comigo, como é que faria o seu mel?”

      Eugénio de Andrade/História de Verão, in Memórias Doutro Rio

      Querida Flor, eu também aqui estou sem jeito. Guardo muitas palavras suas. Fechei-as à chave dentro de mim. Algumas acompanham-me para todo o lado. São como livros que guardo nos bolsos do coração. São palavras fortes, perfeitas, sem costuras, esculpidas pela faca acerada do seu talento. Muito obrigada. Gosto muito de si, querida Flor, querida G.

      Um abraço com amizade

      [e já agora, outra coisa: para quando o pagamento da depilação das oito perninhas completas (espero não me estar a esquecer de nenhuma) da Miluzinha que fiz no inverno passado? :)]

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    2. gosto tanto da pessoa que está desse lado, seja ela quem for. obrigada por tudo o que nos deu. descanse um pouco e regresse quando quiser. nós cá estaremos.

      [é favor mandar a conta para a nova cuidadora da Milu - esse aracnídeo mal agradecido! - a sô Dona Cuca Pirata, mãos de carteirista!!!]

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    3. A pessoa que está deste lado é mais nova do que a Miss Smile, nasceu com uma alma mais velha (acontece), mas, às vezes, é mordida por umas alegrias súbitas que a põem a cantar alto (e, aqui entre nós, canta muito mal), a dançar na sala ou a saltar para cima do sofá para assombro dos mais novos cá de casa (coitadinhos, ao que estavam destinados!). Adora ler, escrever e cozinhar, ou melhor, inventar receitas. O seu caril de camarão e a sua pavlova de chocolate são sempre muito elogiados. Gosta de se levantar cedo e de se ver ao espelho a qualquer hora do dia. Já foi mais bonita, quando tinha a pele mais lisa e sedosa, mas gosta do sabor de ser quem é. Não liga muito a trapos e modas, mas cuida do corpo. É feliz dentro de água. Gosta de abraçar, de tocar, de olhar nos olhos das pessoas. Ainda não precisa de óculos de ver ao perto. É míope, mas só usa óculos quando conduz. Gosta de conduzir e um dos maiores elogios que já ouviu proveio dos filhos que, no banco de trás, lhe elogiaram a condução desportiva (shame on me!). É disciplinada em quase tudo o que faz. Deixa que a poesia lhe polvilhe as manhãs de doçura, mas, às vezes, também reza e agradece tudo o que tem – e o que não teve e que, por isso, teve que conquistar. Às vezes, tem mau feitio, mas não dura muito, e o coração volta a repousar em lume-brando. Quando era pequena queria ser inspetora criminal ou profiler. Continua a gostar de mistérios e de um bom romance policial de vez em quando. Aprecia a discrição, a contenção e a bondade nas pessoas. Tem poucas, mas excelentes e maravilhosas amigas. Amigo, amigo, daqueles a quem se pode contar tudo, só teve um. Mas perdeu-o há pouco tempo. Trabalha muito, mas gosta do que faz. Gostaria de ter mais tempo para ler, escrever e viajar. Adora estar na natureza, mas tem medo de alguns bichos rastejantes. Gosta das primeiras chuvas, dos primeiros dias de primavera e do sol do sul, que lhe faz lembrar o calor do regaço da sua avó Bia. Leva algum tempo a perdoar, mas nunca, nunca esquece os gestos, as palavras e as ações dos que a trataram com consideração. Esforça-se por tratar toda a gente como gostaria de ser tratada. É independente e não gosta de se sentir presa. É apaixonada por muitas pessoas - na vida real e também aqui, na blogosfera. Adora o mar, diospiros, maçãs-reinetas, cócegas, de andar descalça, de ouvir música e de borboletas. E também gosta muito de andorinhas e da própria companhia. Gosta de sonhar acordada, mas é realista e tem os pés bem assentes na terra. Sempre que vai a Primrose Hill, tem esperança de se cruzar com o Jude Law no supermercado ou na livraria do bairro. Pronto. Uma mulher não é de ferro.
      Ah, e mais uma coisa, a pessoa que está deste lado também gosta muito de si :)

      Quanto à Capitã Cuca, diga-lhe que a dívida está perdoada. Diga-lhe também que gosto de piratas, especialmente dela. Ainda não perdi a esperança de um dia me juntar à sua tripulação :)

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    4. obrigada, às duas. gosto muito das duas :)

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    5. E eu gosto muito de ti, como tu bem sabes.

      Um abraço forrado de veludo :)

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  19. Foi sempre - e será, estou em crer- um prazer imenso sentir o voo das suas palavras, Miss Smile, com uma forma muito própria de ser e de estar.
    Agradeço-lhe do fundo do coração.

    Um abraço e... até sempre.

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    1. "Estão sentados quase lado a lado
      no chão à espera que passe um barco,
      a luz muito quieta
      no colo

      como se fora um gato, o sorriso
      antigo, a casa
      à beira do crepúsculo
      atenta aos passos nas areias;

      era outra vez Abril,
      chovia no jardim, já não chovia,
      um aroma, apenas um aroma,
      tornava espesso o ar.

      Uma criança me leva rio acima.”

      Eugénio de Andrade, in Contra a Obscuridade

      Caro AC, um elogio vindo de quem escreve tão bem, como é o seu caso, deixa-me um pouco sem jeito. Muito obrigada. Aproveito também para lhe agradecer os textos que escreve, sempre entrelaçados de sabedoria e benevolência, que demonstram também uma forma muito especial de ser e estar na vida.

      Um abraço e até sempre

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  20. Até sempre parece-me tão longe, tão vago...não pode ser só um até logo, até depois, até um dia? Dá-me mais esperança.
    ~CC~

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    1. “O olhar desprende-se, cai de maduro.
      Não sei que fazer de um olhar
      que sobeja na árvore,
      que fazer desse ardor

      que sobra na boca,
      no chão aguarda subir à nascente.
      Não sei que destino é o da luz,
      mas seja qual for

      é o mesmo do olhar: há nele
      uma poeira fraterna,
      uma dor retardada, alguma sombra
      fremente ainda

      de calhandra assustada.”

      Eugénio de Andrade, in Contra a Obscuridade

      Querida CC, a ti, não tenho coragem de recusar nenhuma esperança. Se tudo correr bem, será um "até já". Prometo. Até lá, estarei por perto, a ler-te, como sempre tenho estado, mesmo que nem sempre comente.

      Um abraço

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  21. Fiquei muito, muito triste...
    Eras uma amiga muito especial pelo teu espírito inteligente, sensível e de elevada humanidade.
    Acontece-me perder o convívio de pessoas boas e integras que muito estimava e admirava - inesquecíveis - o que me deixa desolada, pelo que, preciso de tempo para assimilar e conformar-me...
    Esperava que encontrasses um bom artista plástico que se oferecesse para em co-autoria fazerem um belo livro que todos gostaríamos de ter e oferecer.
    Se também tens esse sonho, não deixes que se desvaneça.
    Ainda não perdi a esperança, esperarei sempre por ti...
    Grande abraço e beijinhos saudosos.
    Até à volta, querida sorridente.
    ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

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    1. “Entre as folhas negras da figueira
      e os erros do ofício
      passa o rio.

      Que rio é esse?
      Passa irmanado à luz pueril
      dos cereais, à magoada
      voz de quem perdeu o sono.

      Leva com ele, entre o roxo
      da sombra e as sílabas contadas,
      um verão de abelhas,
      a profusão do mel.

      Sigo-lhe os passos, perco-me
      com ele.”

      Eugénio de Andrade, in Contra a Obscuridade

      Querida Majo, eu já perdi também muitas pessoas – algumas de formas muito trágicas (sobretudo, dada a sua juventude) e outras, porque a vida, com as suas exigências e turbulências, as afastou de mim. Ainda no início deste ano, tive de ver uma amiga partir para longe, logo ela que estava tão perto de mim - da minha casa e do meu coração. O importante é que não deixemos que o sofrimento causado pela perda se sobreponha aos bons e únicos momentos que vivemos com aquela pessoa. Vou-te contar uma coisa: fui muito feliz nas férias que passava em casa da minha avó, no Algarve. Quando regressava para Lisboa, sofria horrores. Chorava durante a viagem toda. Lembro-me que, na primeira semana, quase que não comia de tão triste que estava. Os meus pais, coitados, nem sabiam o que fazer comigo. Mais tarde, quando vivi na Alemanha, conheci algumas pessoas que tiveram uma importância crucial na minha vida. A uma determinada altura, tivemos também de nos separar. Hoje, vivemos em partes do mundo diferentes. A vida é assim. Somos tocados e tocamos outras pessoas. Eu continuo a chorar sempre que me separo das pessoas de que gosto. E não tenho problemas em assumir que chorei enquanto escrevia este post. Mas ainda bem que assim é. Já imaginaste quão vazia seria a nossa vida se tal não acontecesse? Se nunca fôssemos tocados ao ponto de não termos ninguém por quem chorar?
      Sabes que eu continuo por perto, não sabes?

      Um abraço, querida Majo, e obrigada pelo teu carinho :)

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  22. Miss Smile,

    Há notícias que são esperadas, embora não sejam desejadas. Adivinhava-se no silêncio o que estava para vir. Os silêncios dizem muito, embora nem sempre os saibamos interpretar.
    Teremos de voltar aqui e reler as suas palavras. Iremos, de certeza, encontra-lhes novos sentidos e novas subtilezas. E isso só acontece em textos que nos elevam da terra e vão além daquilo que os olhos veem.

    Esperamos (egoisticamente...) que seja um até já, um até breve...aliás, ficaremos sempre junto de si, pois os seus textos não saem de nós assim tão facilmente. :)

    Um beijo, Miss Smile, e obrigada pela sua generosidade.

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    1. “Com as cegonhas a voarem para o sul
      estava agora mais perto das nascentes
      já nem dos choupos brancos me lembrava
      nem das torres acesas do outono
      mas sabia que me aproximava do meu nome.”

      Eugénio de Andrade, in Limiar dos Pássaros

      Querida Princesa, eu é que agradeço a generosidade das suas palavras. É um privilégio ser lida por aristocratas e, agora, refiro-me à delicadeza da alma. É verdade, os últimos tempos têm sido conturbados e o meu silêncio prolongado fazia prever que teria de parar com o blogue, pelo menos, por uns tempos. Mas, com este meu anúncio, só vim complicar a minha vida. Podia ter saído de fininho, por entre os pingos da chuva dos últimos dias, que talvez ninguém tivesse dado por isso :)
      E já agora, espero continuar a ler os seus bonitos textos e a ouvir a música que tão bem sabe escolher.

      Um beijinho, Princesa, e obrigada pelas suas palavras

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  23. Desejo, do fundo do coração, que seja só um até breve.
    Beijinhos

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    1. “O verde dos bambus mais altos é azul
      ou então é o céu que pousa nos seus ramos.”

      Eugénio de Andrade, Pequeno caderno do Oriente

      Obrigada, Pedro, por ter vindo de tão longe para me deixar estas simpáticas palavras :)
      Sabe que admiro muito a sua postura na blogosfera, as suas análises ponderadas e a sua assertividade. Esperemos que seja um até breve.

      Um beijinho

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  24. Vim aqui com muita alegria, pronta a deliciar-me com os seus textos; sim, encantou-me este também, mas fiquei muito triste quando, no final me deparo com a realidade que já supunha a meio da leitura. Conheço-a há pouco tempo, mas sei que nesse pouco tempo tive a bênção de conviver com uma pessoa maravilhosa, uma pessoa de um coração sensivel que aprendi a admirar. Em cada palavra que escreve nota-se uma grande humanidade e, por muito que me custe, tenho que aceitar a sua decisão e agradecer o muito que me deu neste pouco tempo de boas e interessantes " conversas" . Nos seus belos textos entrei, divaguei e deixei o meu coração falar em desabafos que me aliviaram a alma. Sou assim, amiga, um livro aberto e aqui tive muitas oportunidades para abrir cada página sem medos, com sinceridade e confiança. Aqui, com a sua despedida, uma página será fechada, mas não rasgada; nela ficarão boas lembranças de momentos bem sentidos e também esta amizade que através das
    palavras nasceu , mas que, sem elas continuará com toda a certeza. Que mais dizer, querida amiga? Agradecer-lhe do fundo do coração todo o carinho recebido e desejar-lhe momentos bons, com saúde para si e para todos os que ama e também que nunca lhe falte coragem para enfrentar aquilo que de menos bom a vida sempre traz. A vida é bela, mas é feita de momentos e todos eles diferentes, ora bons, ora maus. Até sempre, Amiga e obrigada
    Emilia

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    1. “Somos como árvores
      só quando o desejo é morto.
      Só então nos lembramos
      que dezembro traz em si a primavera.
      Só então, belos e despidos,
      ficamos longamente à sua espera.”

      Eugénio de Andrade, in As mãos e os Frutos

      Querida Emília, eu é que agradeço as suas palavras sábias. Penso que não haverá ninguém que não goste de ler os seus comentários e que não aprenda com eles. Eu tenho aprendido muito com eles e com o que escreve no seu Começar De Novo. A Emília sabe escrever a Vida com maiúsculas e penso que sabe vivê-la com o coração. É nele que tecemos os fios que nos ligam às pessoas. Falo do amor desinteressado, do amor sem ser por nada, daquele que devíamos de nutrir por todos os seres humanos, porque eu acredito que há mais coisas que nos ligam do que coisas que nos separam. Somos apenas caminho, mas nesta caminhada, podemos dar as mãos. As palavras que escrevemos e que lemos são, às vezes, mãos que se estendem e que se dão. E eu gostei muito que me tenha oferecido as suas. Muito obrigada.

      Um abraço apertado e até sempre

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  25. Continuarei a aguardá-la na minha escarpa
    Bjs

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    1. “Ao inverno chega-se pela ausência das gaivotas
      nos lábios e nas dunas:
      não há outra estrada.

      Isto sei,
      ou como o sangue é branco sobre a erva:
      mas não sei mais nada.”

      Eugénio de Andrade, Sobre as Gaivotas, in Véspera da Água

      Muito obrigada. E eu continuarei a subir a sua escarpa para ler o sopro morno da sua poesia,lá, onde o mar lavra o olhar.

      Um beijinho

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  26. Querida e doce Miss Smile.

    Neste momento quero só lhe dar um abraço muito apertado, sinta-o!
    Obrigada por me dar o prazer de a ler e de gostar de si, mesmo que a barreira do virtual nos separe, as nossas almas continuarão unidas.

    Até......

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    1. “Entre o verde complacente
      das palavras corre o silêncio,
      assim como um cabelo
      cai – ou neve.

      Já foi uma criança, esse verde,
      inquieta de tanto olhar
      a noite nos espelhos –
      agora encostada ao meu ombro
      dorme no outono inacabado.

      É como se me fosse consentido
      conciliar a flor do pessegueiro
      com um coração fatigado,
      essa criança que no vento
      cresce simplesmente ou esquece.

      Vai perder-se, não tarda,
      vai perder-se na água sem memória,
      assim como indiferente cai
      um cabelo – ou neve.”

      Eugénio de Andrade, Esse Verde, in Véspera da Água

      Não só senti o seu abraço, como gostei muito dele, querida Fernanda. Que bom ter de volta um coração que é da mesma família.

      Um beijinho e muito obrigada pelo carinho :)

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