segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Flor de lótus



De todas as pessoas que conheci ao longo da minha vida não guardo mágoa de ninguém. Não minto se disser que sinto por todas um amor sereno e subjetivo. É claro que o tempo e a minha benevolente memória transformam todos os elos em coisas boas e puras. Mas não guardo mágoas. Se, por acaso, voltasse a encontrar algumas dessas pessoas, creio que lhes daria um abraço espontâneo. E não tenho perfil de mártir, acreditem. O que penso que tenho é um elevado espírito de autopreservação. E talvez seja por isso que, até hoje, perdoei todas as pessoas que não me fizeram bem. Não só porque sei que, na altura, fizeram o melhor que sabiam e que podiam - mesmo quando o seu melhor não era bom para mim -, mas também porque esta é a única forma que conheço de viver de forma apaziguada. Todas as memórias têm muitos arranhões, cortes e entalhes. As minhas têm também muito incenso. Na minha memória, todas as parcelas fazem sentido. Não gosto de pensar que o que me acontece não serve para nada. Tudo o que vivi faz parte da minha existência mais profunda. O bom e o mau. A minha avó dizia-me sempre Nunca deixes que a tua infelicidade te torne infeliz. E eu sempre me agarrei a esta frase, como se fosse o verso de um poema escrito para mim. Há palavras e memórias que não podem ser desperdiçadas. As minhas dão-me uma oportunidade de saber e de descobrir. São um sussurro quente que me enche de confiança. Porque as coisas nem sempre são como pensamos que foram. As memórias podem ser isto. Um aroma profundo e sagrado que paira sobre nós. Feito de pétalas de uma flor de lótus branca.


37 comentários:

  1. Mais tarde ou mais cedo temos que perdoar. E não é pelo outro, é por nós. Para nos sentirmos leves, tal qual essas pétalas da flor de lótus.
    :)

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    1. Não é fácil, Luisa, mas é um caminho de transformação, tal como faz a bonita flor de lótus que procura a luz, apesar de as suas raízes se desenvolverem no lodo e na lama de lagos e lagoas.

      Votos de um dia feliz :)

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  2. Miss Smile, também não guardo mágoa a ninguém e interpreto como espírito de autopreservação.
    Acontece-me às vezes essas pessoas passarem para o lugar de "indiferentes" quando se trata de gente com a qual não é necessário lidar, mas se for preciso há cordialidade.
    Perdoar não tem de significar que continuemos amigos e não temos de ser amigos de toda a gente.
    Boa semana, Miss Smile

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    1. Perdoar é quebrar um elo de mágoas, mas não significa necessariamente continuar a conviver com a(s) pessoa(s) em questão. Concordo plenamente. Perdoar é conseguir libertar-se do papel de vítima, é recuperar o poder e até – porque não? - desejar que essa pessoa seja também feliz.

      Uma boa semana, Isabel

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  3. "Nunca deixes que a tua infelicidade te torne infeliz."

    Querida Miss Smile,
    O perdão é a coisa mais libertadora que podemos fazer pelos outros, mas principalmente por nós.
    Tudo o que passámos na vida e todas as pessoas com as quais nos cruzámos, têm que ser vistas de forma positiva, só assim encaramos o presente com alguma sabedoria e o futuro com esperança.
    A sua avó tinha uma visão sábia da vida e incutiu-lhe isso, uma herança preciosa que decerto a amiga passará aos seus descendentes.

    Um beijinho

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    1. Sem dúvida, querida Fê. O perdão não é algo unilateral que fazemos pelo outro. Perdoar é, em primeira instância, uma coisa que fazemos por nós. É sair de uma banda estreita, de um espaço circunscrito a uma só experiência e espreitar pela esquina do mundo. Nada é definitivo. Por vezes, há acontecimentos que sugerem a necessidade de uma reconsideração. Na vida, estamos sempre a atar e a desatar nós e a encontrar novas pontas soltas. E as coisas nem sempre são como nós pensamos que foram. Há muitos sentidos ocultos em tudo o que vivemos que só o tempo ajuda a descobrir e a compaixão a curar. E ainda bem que assim é. Porque é isso que nos impele a recomeçar.

      A minha avó não se achava sábia. Passava a vida a dizer que estamos cá para aprender. Mas penso que era isso que fazia dela uma pessoa sábia.

      Um beijinho :)

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  4. eu e as memórias temos uma relação complicada...:)

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    1. Mas eu também não conheço ninguém que tenha uma relação fácil com as suas :)

      Deixo-te este vídeo que, provavelmente, já conheces:

      https://www.youtube.com/watch?v=Pd88RzWJ-ug

      Tem um dia feliz, querida Bridget Jones :)

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    2. Ahhhhhh....não me lembres as minhas cuecasss....isso sim, eu queria esquecer. Mas seis...logo seis a encherem volumosamente a minha gaveta...

      (sim, matthieu ricard...mas eu gosto mais da espiritualidade aplicada às pessoas 'comuns')

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    3. :))
      Mas não és obrigada a vesti-las. Podes dar-lhes outra utilidade, podes usá-las, por exemplo, como pano do pó :)

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    4. Não digas a ninguém, mas são confortáveis...:)

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    5. O conforto é um valor que não carece de justificações. Mas eu não digo a ninguém. Palavra de escuteira :)

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  5. Esse espírito de autopreservação, aprendi a aplicá-lo em sentimentos mais fortes, como a raiva, o ressentimento que senti quando me magoavam injustamente. Descobri que era eu quem ficava mais ferida, quem mais sofria.
    Hoje, deixo que as mágoas resvalem por mim, sem as prender. Excepto uma muito antiga, porque ainda não encontrei explicação que a justifique...essa não perdoarei nunca!!

    Um beijinho, querida Miss Smile.

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    1. Perdoar é um processo muito longo e difícil. É uma espécie de descida aos infernos. Às vezes, pode durar toda uma vida. E não é algo que acontece apenas porque queremos ou nos apetece. É preciso muita força interior. Mas não se esqueça que, se um dia tal acontecer, estará a fazê-lo apenas por si. Só o perdão pode libertar de certos sofrimentos.

      Um beijinho, querida Janita

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  6. Não é fácil não sentir mágoa por ninguém. Eu já senti muitas mágoas, mas a vida ensinou-me que não vale de nada e nem traz nada de bom. Ainda ando a trabalhar nisso, mas caminho na esperança de um dia não ter mágoas. E estou no bom caminho.

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    1. Creio que passamos grande parte da nossa vida a curar mágoas. É impossível não tê-las. Mas é possível curá-las. Mesmo sabendo que, no dia seguinte, virão outras. Perdoar é um caminho sem meta. Mas é um bom caminho.

      Um dia feliz, L. :)

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  7. O PEDRO COIMBRA escreveu que não consegue comentar aqui.
    Vim somente testar.

    Um beijo.

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    1. E ele tem razão, João. Às vezes, não se consegue mesmo :)

      Obrigada pela sua visita.

      Votos de uma boa semana

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  8. Procuro não perder tempo com mágoas...deixo-as ir...
    Das pessoas que me magoaram.... sem esforço nenhum, afasto-me delas.
    Bjs

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    1. Concordo, Papoila, embora ache que se deve perder algum tempo com mágoas. Não com todas, é verdade. É que as mágoas ensinam-nos muitas coisas. Falam também da nossa vulnerabilidade, da nossa fragilidade, das nossas expectativas. Em suma, falam de nós. É preciso escutá-las primeiro antes de deixá-las ir. É uma garantia para que não voltem :)

      Um beijinho

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  9. Que bom para ti, querida amiga... eu não sou capaz...
    Sei que este tipo de memórias só prejudicam a minha serenidade, mas não sou capaz de relevar a traição e a ingratidão...
    Tenho tão pouca sorte, que até já fui vitima delas na blogosfera. Uma questão de ciúmes - por quem me tratava como amiga e a quem eu tratava com a maior consideração - só porque eu tinha bons resultados, no blogue dum amigo comum, em jogos de identificação. Fez perder-me uma série de amigos.
    E, ando sempre a cruzar-me com a dita criatura que consegue invadir todos os blogues que mais aprecio...
    É um sofrimento deveras lamentável, porém, eu sou assim e sou sincera... Magoam-me muito as injustiças, talvez por ser libriana... rrrsrsrsss...
    Uma semana muito agradável, doce Smile.
    ~~~ Beijinhos ~~~

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    1. Obrigada pelo seu comentário sincero, querida Majo. Eu compreendo muito bem o que sente. Também já fui alvo de algumas injustiças. Mas sabe no que é que eu penso? Penso nas pessoas que eu própria já magoei por atos ou omissões, por impulso ou distração. Mesmo quando achava que tinha as melhores intenções do mundo. Todos somos seres inacabados, incertos, imperfeitos. Somos apenas humanos. Não digo que não existam coisas que são imperdoáveis. Todos sabemos que sim. E perdoar não significa esquecer. Tudo tem consequências. Mas perdoar é uma coisa que se faz por nós, pela nossa tranquilidade e paz de espírito, porque deixamos de dar poder à pessoa que nos fez mal. Perdoando recuperamos o nosso poder. Mas é preciso tempo. E é também preciso saber perdoar-nos quando não conseguimos perdoar. É preciso dar tempo ao tempo…

      Um beijinho, querida Majo :)

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    2. As suas palavras, estimada amiga, são um suave lenitivo que muito agradeço.
      Houve um professor que me alertou para o perigo que eu iria correr, estava eu no antigo terceiro ciclo, prestes a terminar o liceu.
      Disse ele, diante toda a turma, que havia alunos que facilmente se perdiam na memória e havia outros, inesquecíveis... Que a minha vida não ia ser fácil porque eu tinha uma personalidade e um brilho que iriam incomodar muita gente...
      Sinceramente, nesse tempo não considerei aquela conversa importante e ainda hoje, só me lembro dela depois dos aborrecimentos me acontecerem... mas lembro. Foi assim que o meu professor de filosofia tornou-se inesquecível.
      Mais uma vez, o meu reconhecimento pelo apoio e pelas carinhosas palavras de conforto.
      ~~~ Terno abraço, querida Smile ~~~

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    3. Talvez o seu desafio, querida Majo - todos temos os nossos desafios pessoais e eu tenho também os meus, acredite - seja o de não se deixar incomodar pelas pessoas que incomoda. A forma como elas reagem a si é problema delas. Já a forma como a Majo reage a elas é assunto seu. Não acha que lhes está a dar demasiada importância? Querida Majo, cuide da sua essência, como quem cuida de um jardim.

      Um abraço

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    4. Por vezes, as situações são muito duras...
      A traição e ingratidão da parte de quem se dizia minha amiga e a quem prestava frequentemente auxílio, ainda foi mais dolorosa por ter sido perpetrada na forma de intriga postada em blogue...
      Para esquecer, porém, difícil...
      Beijinhos gratos.

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    5. Eu compreendo, querida Majo. Não é fácil...

      Um abraço, com amizade

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  10. Perdoar é, para mim necessário para sobreviver...o caminho seguinte é tentar não me lembrar. Também não tenho espírito de mártir, mas, confesso, mais que pelos outros, perdoo por mim mesma.

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    1. Precisamente. O passado já está feito, acontecido, vivido. Não podemos mudá-lo, mas podemos mudar os nossos sentimentos em relação a ele. E isso é também uma forma de nos libertarmos dele.

      Um dia feliz, Maria do Mundo :)

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  11. Hoje já consigo comentar.
    E comento para dizer que a compreendo muito bem.
    Não vamos perder tempo e energia com pessoas que não merecem isso.
    Prefiro esquecer os males e lembrar-me sempre das pessoas que me fizeram bem e do bem que me fizeram.
    Beijinhos

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    1. Hoje pode :) E ainda bem para mim, porque gostei muito do seu comentário.

      Há um provérbio inglês que diz: “Viver sem amigos é morrer sem testemunhas”. Eu diria que as memórias espaçadas e confidentes, ou seja, aquelas a que o tempo ajudou a diluir as mágoas, são também assim. São elas que contam a história que nos acompanha e onde o que é essencial é a gratidão e as pessoas que, de alguma forma, nos inspiraram, nos tocaram e nos ajudaram a ser melhores – são estes os verdadeiros tesouros que carregamos connosco.

      Um beijinho, Pedro

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  12. Uma grande lição me deste hoje MS. Eu também consigo perdoar e não guardar ressentimentos, mas infelizmente não consigo esquecer. Acho que ainda me falta essa parte. Aí sim, estarei livre :) Beijinho

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    1. Mas perdoar e esquecer são duas coisas diferentes. Quando perdoamos, apaziguamos e eliminamos mágoas, ressentimentos e raivas. Se fizéssemos o mesmo com o esquecimento, estaríamos a deitar fora valiosas experiências de vida :)

      Um beijinho, GM

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  13. Sabe, Miss smile, eu com toda a certeza já magoei muita gente, mas tenho uma facilidade incrivel de ir ter com a pessoa, conversar e pedir desculpa pelo acontecido Tinha uma grande amiga ( ..??? ) a quem foram dizer certas coisasa que eu tinha feito e dito, Procurei-a, telefonei e nunca me deu a oportunidade de esclarecer o assunto; conhecia-me há muitos anos e sabia que o meu procedimento era dizer sempre aos amigos o que me incomodava e nunca dizer ppr trás. Um dia encontrei-a num café com o marido e resolvi ir à mesa deles; o marido sempre simpatico convidou-me a sentar; chegoi uma altura em que eu disse" .. Há tantas coisas terriveis a acontecer no mundo, tantos problemas sérios que temos, o meu pai teve um AVC, não achas melhor acabarmos com estas coisinhas sem importância? Dá cá um abraço e continuemos a nossa amizade.. "
    Sabe, miss smile que ela não me deu o abraço? Nestes anos todos de vida nunca vi ninguém negar um abraço a quel lho pede. Não foi um pedido de desculpas esta minha atitude, pois não tinha de o fazer, foi simplesmente para preservar a amizade que eu julgava haver. O marido dela, o meu e eu ficamos pasmados com o rancor que existe nessa pessoa; cruzo-me muitas vezes com ela e marido; ele cumprimenta-me, ela baixa os olhos. Serviu para uma coisa, amiga, serviu para eu perceber que andava com uma pessoa má e que o que aconteceu foi bom, pois desviou-me de um perigo. Fez-me bem tentar tudo para corrigir o mal entendido, pedi o abraço por não me fazer bem andar zangada com as pessoas, mas agora ignoro-a por completo; ela conhece os meus pais e nem o facto de lhe ter falado que ele estava doente amoleceu o seu coração de pedra. Nunca quis ouvir o que eu tinha a falar sobre o acontecido. Não sei como ela consegue viver tão amargurada e, aparentemente, não tem motivos para isso. Descobri que não tinha uma amiga, mas, sim uma inimiga. Caso como este eu nunca vivi nem presenciei; acho que não é nada comum. Amiga, muito interessante o seu texto, aliás, como sempre. Um beijinho e obrigada .
    Emilia

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    1. Eu é que agradeço o seu comentário, querida Emília. Mas a verdade é que temos de aceitar a escolha dos outros - por mais que isso nos doa, incomode ou revolte. Compreendo perfeitamente a sua posição. Poder-lhe-ia até dizer que já vivi uma situação semelhante e sei o quanto custa. Mas aprendi a aceitar, porque a outra pessoa tem também o direito de fazer a sua própria interpretação dos acontecimentos, mesmo que isso nos pareça extremamente injusto. É duro, mas é assim. Eu vivo em paz desde que perdoei essa pessoa por não me ter perdoado.

      Um beijinho

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    2. Mas o que me entristeceu, foi não me ter ouvido sequer por mais que tenha tentado. Mas, como diz, é assim! Já não penso mais nisso. Vivo em paz e sem culpas. Beijinhos e obrigada, amiga.
      Emilia

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  14. Sabe, há muito não encontrava essa senhora e hoje, ao voltar do meu voluntariado, cruzei-me com ela, lado a lado, ela descendo e eu subindo a rua; a calcada é estreita e quase que os ombros se tocavam; ela baixou os olhos e eu mantive-me como até ali, absorta nos meus pensamentos que não estão nada faceis; não fiquei incomodada, pois tenho coisas mais sérias a preocuparem-meDia 11 vou ao Brasil visitar os meus pais; depois do 3o Avc o meu pai nem sempre conhece as pessoas, embora esteja sem dores e bem acompanhado em casa. A minha mãe melhorou muito depois de ter estado em coma induzido em Outubro de 2015, sem haver qualquer certezas da sua melhora. Estive lá 3 meses e felizmente sobreviveu e ficou bem; mas agora está com oitro problema; há anos teve um cancro na bexiga que foi resolvido sem cirurgia, mas agora voltou a aparecer; o médico quer opera-la, mas, dada a idade ( 87 ) e os problemas que teve, há dúvidas se será ou não conveniente a cirurgia. Hoje o meu irmão vai levar os exames e todo o histórico dela a um especialista muito bom para ver a opinião dele. Perante tudo isto, Miss Smile, vale a pena andarmos com mágoas ou ressentimentos causados por pequenos nadas de uma insignificância tremenda? Vale a pena preocuparmo-nos com pessoas que não têm a menor sensibilidade com os problemas dos outros? Não! Não vale! E não me preocupo! O assunto já morreu e eu aprendi a dar valor às pessoas que realmente merecem o meu respeito e a minha amizade. Espero que me desculpe este meu desabafo, mas há alturas em que precisamos de alguém que nos escute, mesmo que esse alguém tenha como identificação só as palavras que nos deixa; mas quem disse que as palavras não são um coração aberto aos outros? Acredito que são, sim, amiga! Um beijinho e obrigada!
    Emilia

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    1. O que importa é o que cada um traz no seu coração. É com isso que terá de viver.
      Fez bem em desabafar, querida Emília. E eu agradeço-lhe por me ter aberto o seu coração.
      Estimo as melhoras dos seus pais.

      Um beijinho e um bom regresso ao Brasil

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