quarta-feira, 1 de março de 2017

Palavras



As palavras que escrevo servem-me de âncora num lago que parece não ter fim. Retêm-me e perduram-me. Mas nas tuas...há um pássaro que voa em cada uma delas. É que eu vislumbro tantas coisas nelas. Uma luz numa sombra opaca, a raiz de uma metáfora, uma vida secreta. Eu sei que são apenas coisas que esvoaçam na minha cabeça. Sentidos que se infiltram furtivamente, como se nas tuas palavras existissem outras palavras. E delas brotam sempre tantas outras coisas. Um céu da cor do mais ténue índigo, gotas de orvalho ao sol, o aroma fresco da hortelã-pimenta e, às vezes, uma queimadura no coração. Coisas de nada, devaneios. Uma pena que cai lentamente e se dissolve na palma da minha mão.