02/06/2017

Se o meu blog fosse um blog em bom, seria…



A minha querida ana, que é muito minha amiga, pediu-me que escolhesse o blogue que gostaria de ser, na sequência do desafio Selinho em Bom lançado pelo Pipoco. Dizia eu que a ana é muito minha amiga (grr), porque me colocou nesta situação periclitante, logo a mim, que gosto e sou tantas coisas, que desconfio até que contenho multidões dentro de mim, como diria Walt Whitman, e que, por isso mesmo, tenho um verdadeiro apreço pela reserva, não vá alguém querer internar-me. É por isso que, se pudesse ser um blog, seria, na verdade, vários blogs, um diferente em cada dia da semana.

À segunda-feira, seria a espirituosa e refinada Palmier. Saberia desmistificar o início da semana com humor, inteligência e a dose certa de savoir-vivre.

À terça-feira, seria a Mãe Preocupada que, de forma absolutamente genial e acutilante, perfura a cápsula das coisas visíveis e desvenda as camadas subterrâneas da realidade, fazendo-me rever o mundo num outro horizonte, numa linha mais límpida.

À quarta-feira, seria a faca não corta o fogo, porque escreve palavras que me emudecem. E eu suspeito que, escrevendo como escreve, são as palavras que se aproximam dela, porque se sentem sós. Porque precisam de ser embaladas.

À quinta-feira, seria o xilre, porque a beleza do que publica me deixa lá a pairar por tempo indeterminado até cair novamente no mundo. É uma arte rara esta, a de saber explicar as coisas, sem as esvaziar do seu mistério.

À sexta-feira, seria a voz à solta, porque gosto da sua essência para a alegria, da natureza da sua sensibilidade, das suas palavras plenas de afetos e sentidos. Às vezes, quando a leio, apetece-me abraçá-la.

Ao sábado, seria os Atalhos de Campo, pela sua busca incessante de beleza, pela lucidez, pela espessura do que escreve, pela arte de enlaçar fios de sentidos aparentemente distantes, mas inequivocamente próximos.

Ao domingo, seria De dentro para Fora, porque me liga ao que está mais adiante, ao que é mais fundo, porque me faz habitar o mundo por dentro. Com ela, aprendo que o exercício espiritual não é uma coisa distinta do quotidiano, que há espiritualidade no amassar do pão, no olhar o mar, no cuidar dos pardalinhos. 

E se a semana tivesse mais dias, nomearia mais uns quantos. 

Creio que eu não seria a mesma se não lesse os blogs que mencionei. Porque eles me levam sempre aos espaços em branco que trago comigo.

[Vou quebrar as regras - na minha provecta idade, posso tudo, meus amigos – e não vou designar nenhum blog para dar continuidade a este desafio do Pipoco. Quem se sentir inspirado, autonomeie-se, que eu já não tenho saúde para fazer tudo. E agora tenho de ir, que me tocam à campainha.]


O famoso selinho da autoria da talentosa Palmier