18/10/2017

Um lugar visitado



Um sonho que perdura até ao amanhecer. Pássaros de papel de lustro azul, belos e suaves, balançam num fio de seda preso no vidro da janela. Um vaso de flores brancas, pasmadas, onde pousou o zumbido das abelhas. Uma chávena de café, o tampo da mesa. O baque de um livro que cai. A transparência de uma metáfora numa jarra vazia. O silêncio perfeito na dobra de um xaile. A lenta insinuação das sombras. O recorte das árvores de pé. As luzes que se acendem nas casas. Os telhados cintilantes, o eco da chuva. O sino da igreja, a vassoura do jardineiro, a minha voz sem ti. É muito cedo para escrever sobre estas coisas. É tão cedo que os pássaros dormem ainda no colo das nuvens.