16/02/2018

Seixos brancos


A luz do entardecer acaricia as copas dos cedros-dos-himalaias que espreitam pela janela. Tudo permanece igual como da primeira vez. As paredes pontuadas de janelinhas, as portas azul-clarinho, os quartos iluminados, as borboletas pintadas na parede do corredor, que se despegam e voam em revoada, num fio de memória: um fôlego comprido de felicidade, o cheiro a leite morno, os braços de uma mãe a alargar à volta do seu recém-nascido. As madrugadas cor de limonada. Todas as tuas primaveras num abrir e fechar de asas. O mundo como uma janela lavada. A asa de uma cegonha do lado de fora. Tudo é começo, eu sei. E há recomeços que se fazem pelo avesso. Por isso, conserva todos os seixos brancos que tiveres para acharmos o caminho de volta, como fizeram Hansel e Grettel. Lembras-te?