06/07/2018

Luz

Essas palavras de se atirar de cabeça levantam folhas secas do chão. Têm asas, ganham altitude, são um braço numa estrela, mas não aceleram relógios. Às vezes, são um rio inteiro que faz o mundo rodar, uma conversa de água, um afluente que corre nas veias. Noutras, são uma tristeza que se acumula perto do cais, um peixe que se debate numa poça de água doce. Magoamo-nos mutuamente. Atiramos pedras ao rio e ficamos silenciosos depois. Não é fácil amarmo-nos num descampado, nós que amamos os pomares, a dança de ramos, a resina das margens verdes. És impossível. Mas dás à claridade uma esperança sem limites. Outra luz não sei.